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A urna é segura? Veja mitos e verdades sobre as eleições 2018

Equipamento não está conectado à internet; veja como funciona


Dúvidas sobre a segurança do processo eleitoral foram esclarecidas durante audiência pública realizada na sede do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), nesta quinta-feira (25), no CAB, que contou com as presenças do presidente da instituição, José Edivaldo Rotondano, de membros do Ministério Público da Bahia (MP-BA), da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA), além de integrantes do tribunal e de orgãos que compõem o processo eleitoral no estado. 

Além de reforçar a segurança das urnas eletrônicas em todo o país, o evento também contou com membros da área de Tecnologia da Informação (TI) do TRE-BA que esclareceram dúvidas sobre a confiabilidade e a segurança das urnas (ver abaixo).

O segundo turno das eleições será realizado neste domingo (28), das 8h às 17h. Desta vez, o eleitor baiano terá que escolher apenas o candidato à Presidência da República, o que reduzirá o tempo de votação - no primeiro turno, o eleitor precisou escolher presidente, senadores, governador, deputados estadual e federal.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 10.390.247 eleitores do estado, 8.235.310 compareceram às urnas – um percentual de 79,26%. Neste sentido, foram exatamente 2.156.323 abstenções, o que corresponde a 20,74% do eleitorado baiano. Ao todo, serão disponibilizadas 35.088 urnas para a Bahia - 5,2 mil delas em Salvador.

Mitos e verdades

  • É possível um hacker invadir a urna: FALSO
A urna eletrônica não tem bluetooth, wi-fi, não está conectada à internet nem a nenhuma rede. Ela possui autonomia de bateria e, mesmo que a energia elétrica tenha algum problema de interrupção, a urna continua funcionando.

  • É possível manipular as informações que ficam armazenadas na urna: FALSO
A informação que sai da urna é gravada em um “pendrive descaracterizado” da Justiça Eleitoral que recebe assinatura digital e a criptografia, que é o embaralhamento dos dados. Ou seja, mesmo que uma pessoa pegasse esse pendrive e tentasse mexer, ela não conseguiria entender nada, porque a informação está totalmente codificada e só quem pode decodificar as urnas são os computadores centrais da justiça eleitoral.

  • Se alguém quebrar uma urna ou danificar o equipamento em algum lugar, as informações são perdidas: FALSO
Não adianta o eleitor tentar danificar a urna, porque todas as informações ficam armazenadas no cartão de memória do equipamento. Existem duas memórias internas e outra que guarda os resultados da apuração. Quando uma urna quebra, basta que esses materiais sejam retirados e instalados em outro equipamento para que o processo eleitoral tenha continuidade normalmente.

  • Se o comprovante de uma seção sumir, os votos deixam de ser computados: FALSO
Mesmo se o comprovante de apuração dos votos de uma seção desaparecer, é possível ou imprimir o documento novamente ou, na impossibilidade da impressão, todos os votos e outras informações ficam registrados na memória da urna.

  • A urna eletrônica deixa rastros de eventos ocorridos: VERDADE
A urna eletrônica mantém arquivo com o registro cronológico das principais operações realizadas pelo seu software. Nele, ficam registrados, dentre outras operações, o início e o encerramento da votação, a emissão de relatórios, os aplicativos que foram executados, os ajustes de data e hora, a realização de procedimentos de contingência e os registros que auxiliam na avaliação da dinâmica do voto.

  • O Brasil é referência mundial em processo eleitoral uniformizado: VERDADE
De acordo com os registros oficiais do TSE, é possível verificar que o Tribunal já recebeu mais de 70 delegações de países que queriam conhecer a solução informatizada e o processo eleitoral brasileiro. Pelo menos oito países assinaram acordos de cooperação para transferência de conhecimento sobre os sistemas de votação eletrônica brasileiros: República Dominicana, Costa Rica, Equador, Paraguai, México, Argentina, Guiné Bissau e Haiti.

O caminho do voto
Depois que o eleitor digitar os dois números de seu candidato à presidente, o voto ficará computado na urna. Os votos são criptografados e gravados em uma mídia chamada Memória de Resultados - algo que se parece com um pendrive. Ao longo de todo o dia, todos os votos são armazenados e ficam ali, “esperando” a hora de começar a apuração.

Como as urnas não têm conexão de internet, os votos de cada urna são enviados a um ponto de transmissão, que existe em cada zona, através de um software interno - um programa do próprio TSE. Nessa mesma lógica, cada ponto de transmissão emite os votos para TRE-BA, que funcionará como uma espécie de 'central’ e, por sua vez, encaminha ao TSE.

Após a votação, as urnas recebem um lacre produzido pela Casa da Moeda, cujas propriedades químicas impedem a sua violação, segundo o presidente do TRE-BA. Essas urnas são levadas para a sede do TRE-BA, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), onde ficam em um depósito de urnas.

Histórico
Com urnas eletrônicas desde as eleições de 1996, hoje, o Brasil ainda utiliza os equipamentos da chamada ‘primeira geração’, que diz respeito ao registro totalmente eletrônico. Entre os que usam a urna eletrônica (muitos, como Alemanha e Irlanda ainda usam cédulas de papel), a maioria já migrou para a chamada segunda geração, como explicou ao CORREIO o pesquisador Mario Gazziro, pós-doutorando no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos e professor na Universidade Federal do ABC.

A segunda geração inclui, junto à urna eletrônica, uma impressora e um picotador de papel. Após o eleitor votar, uma cédula é impressa. É o chamado VVPAT– Auditoria Conferível em Papel, na tradução em português. É diferente do voto no papel, como ocorria no passado, porque é uma combinação das duas tecnologias.

“Antes, você podia botar outros papéis dentro da urna, tirar, substituir. Poderia ler o nome de outra forma. Agora, além de ter escrito como forma de expressão, tem um código de barras que carrega uma assinatura digital. Para fraudar aquilo, teria que ser a mesma tecnologia para fraudar uma transação bancária digital”, diz Gazziro. Esse sistema é adotado por países como Bélgica, Rússia, Canadá, Equador e México.

O custo estimado para que o TSE implantasse essas impressoras em todo o país é de R$ 1,8 bilhão. No entanto, já existem países que contam com a chamada urna de terceira geração – é o caso da Argentina (especificamente na capital Buenos Aires) e de algumas cidades do estado de Washington (EUA). Esse equipamento só tem um papel com um código QR. A apuração será através desse papel.

O próprio professor Gazziro coordena um projeto que, em 2014, desenvolveu uma urna de terceira geração. Segundo ele, esse tipo de equipamento coibiria que, após o voto, a pessoa utilize o voto impresso para negociar uma comprovação de venda de voto, já que o voto teria que ficar na própria urna.

“É uma urna segura, de baixo custo. Sem conexão com a internet, mas é segura. Tem uma assinatura digital, eletrônica, que vai junto o QR. É um número criptografado, para que ninguém, no caminho, jogue outro voto ali dentro”, afirma Gazziro. O sistema construído por eles já foi usado em pequenas eleições na universidade. Agora, ele espera que seja usado nos próximos pleitos para a escolha do reitor na USP e na UFABC.

“Nenhum país inteiro chegou a usar essa nova geração. O Brasil foi o primeiro a implantar a urna eletrônica no país todo. Bem que poderia ser o primeiro a usar a terceira em todos os estados”, diz o pesquisador. 

A estimativa para a implantação da terceira geração é de metade do que se gastaria com a segunda geração.

Fonte: Correio 24h

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